marți, 17 iunie 2008

Pensando melhor Bartleby à luz de Homo Sacer

Acho que estou entendendo melhor. O ponto não é exatamente que “porque posso não ser, sou”, mas que nem potência de ser nem potência de não ser prevalecem. Ou melhor, desaparece a relação entre ato e potência. Enquanto escreve e pensa que prefere não quer escrever, o que faz o escrivão é justamente desconstruir a passagem da potência ao ato em sentido aristotélico. Por que isso é importante? Por razões políticas. Para Agamben, a exclusão, a exceção ou a negatividade são o solo da política ocidental e autorizam o estado de exceção enquanto fundam o poder soberano. Assim, é o banido que justifica a inclusão (a política!). Aliás, para Agamben, esse também é o fundamento de toda metafísica (vide “a linguagem e a morte”). Há sempre uma dimensão indizível, inapreensível, que precisa ser apropriada e, nesse sentido, nem Heidegger escapa! A filosofia de Heidegger, antes de superação é, em verdade, a confirmação da metafísica. E assim também na política, que encontra as suas raízes em Aristóteles. Ora, é a potência na sua relação com o ato que fundamenta a relação política exclusão-inclusão. A potência, que na sua natureza perfeita é passagem ao ato, é potência de e potência de não, e assim, ao passar ao ato, não se destrói, mas permanece potência de não enquanto doa de si. Estamos no âmbito da soberania do ser. E essa também é a estrutura do bando soberano que “aplica-se à exceção desaplicando-se”. O ponto é justamente essa relação de exclusão-inclusão que nasce com a metafísica de Aristóteles e funda a política ocidental. A saída, para Agamben, é pensar para além ou fora da “relação” entre ato e potência, relação que se sustenta, como já disse, no esquema exclusão-inclusão. Para tanto, sugere a necessidade de se pensar uma nova ontologia das potências, uma ontologia que escape do esquema de “relação” ato –potência. Bartleby é um exemplo de uma tentativa de resistência a essa relação enquanto, como diz Agamben, com o seu “preferia não” não decide entre potência de e potência de não.
O que pensar sobre isso tudo?

2 comentarii:

Flor de Insensatez spunea...

dá pra explicar um pouquinho mais a relação que você vê entre o banido (o excluído) de um lado e o ato (associado à potência) de outro? pensei um pouco no direito sem aplicação do benjamim, mas não sei se a tua conexão é essa...

differance spunea...

Não sei se consigo explicar melhor. No entanto, tentei. Como ficou grande, foi como postagem de texto (logo acima). Não falei de benjamim porque, infelizmente, não o conheço. Mas se quiser, me fale você e podemos ver se falamos do mesmo. (que bom lidar com uma diferenssa em forma de flor!)